A sina humana é pensar e sentir, tudo ao mesmo tempo. Não se vive separado. Viver é pensar e sentir, nessa ordem, ou não. O caminho correto nem sempre é o certo e geralmente vamos pelo caminho do meio. Mas de todo, nunca estamos errados. Já que de meio certos e meio errados somos todos donos da razão.
E qual seria a intenção mais honesta? Uma? Aquela que nunca houve? Somos a agressividade do desespero e a sutileza do questionamento. Somos, porque queremos tanto ser reis, mas não sabemos obedecer.
Mas de alguma forma, e não saberemos explicá-la, que fique claro, gritamos. Gritamos!
E então, por que chamamos pelo mesmo nome?
Por que? Por que porquê? Será que sabemos?
Não é um nome, não é uma razão, e também não é uma coisa. É só um grito, um desperdício, um clamor choroso, muito fraco para ser ouvido.
Jamais haverá quem o escute. Jamais haverá quem queria escutá-lo. Por mais que gritemos; por mais que acreditemos. Só haverá um solitário eco, uma solidão de si mesmo, um breve e sofrido rumor de dúvida.
Pagamos o preço? Passado o cegar breve do exterior da caverna, pagamos o preço? O horizonte está ali, longe demais pra se ver. E você vai, e então, o horizonte já não estará somente atrás de você, ele estará ao seu redor, tudo além de você será horizonte. O que é aquilo que você pode pegar com as mãos?
Nada.
Conhecimento algum liberta. As ilusões, sim, libertam. A fé, o auto-entendimento, o metafísico e o mágico. Tudo porque a ciência é fria, concisa, ela não sabe amar, apenas montar e desmontar; sabe explicar, mas não sabe entender. Somos felizes porque acreditamos ser, somos tristes porque acreditamos ser. Somos porque acreditamos. A realidade é o que queremos que ela seja, e não é vulgar. Se é humano não é vulgar.
Conhecimento algum liberta. O mundo, e o ser humano, serão sempre, um genocídio de idéias.
